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domingo, 15 de abril de 2012

Aluguel de bicicletas contorna vandalismo e vira mania carioca


Mel não tem bicicleta, mas usa uma para fazer metade do caminho até o trabalho. Depois de descer do seu carro, ela aluga uma bicicleta e completa o trajeto sob duas rodas para, ao mesmo tempo, evitar o trânsito e se exercitar. Ariel possui sua própria bike, o que o faz recorrer ao aluguel durante a semana é a falta de lugar seguro para deixá-la. Bernardo aluga porque simplesmente gosta de passear pela orla no intervalo de seus estudos.

Faz cinco meses que os três usam o Bike Rio, sistema de aluguel de bicicletas que tem estações por toda a zona sul do Rio de Janeiro. Desde a implementação, boa parte dos cariocas, assim como eles, já não imagina mais as ciclovias da orla, da Lagoa e arredores, sem as bikes laranjas, que dividem a bela paisagem com pedestres, carros e motos. São 15 mil usuários ativos, mais de 50 mil cadastrados e uma média de 4 mil viagens por dia.

"É uma iniciativa muito boa, que tem agradado bastante. Ainda há alguns problemas, precisa se expandir para outros bairros para se tornar mesmo uma opção de transporte, mas para fazer trajetos não tão longos, pela zona sul, é ótimo", disse Ariel Altamirano, desenvolvedor de sistemas argentino que mora em Copacabana há um ano e usa as bicicletas laranjinhas em vez de deixar a sua, sujeita a vandalismo, amarrada em postes nas ruas.

A iniciativa, pioneira em metrópoles, deu trabalho no início. "Desde 2008, nós pesquisamos e desenvolvemos uma tecnologia para adaptar os sistemas europeus, robustos e muito caros, ao Brasil. Acho que agora conseguimos", afirmou Angelo Leite, presidente da Serttel, empresa que venceu a licitação para implantação do serviço no Rio.

A bike é personalizada, com travas de segurança que dificultam furtos. As estações de aluguel são totalmente computadorizadas, conectadas à internet e com painéis solares - o consumo de energia elétrica é zero. A empresa investiu R$ 2,5 milhões no desenvolvimento da tecnologia, que permitiu certa redução de custos e diminuiu as possibilidades de vandalismo. Isso chegou a inviabilizar a primeira tentativa de oferecer o aluguel de bicicletas aos ciclistas, colocada em prática há quatro anos, também pela Serttel.

Para conseguir viabilizar o serviço, a Serttel teve que buscar parceria. O banco Itaú foi o único interessado em custear o projeto, de valor não divulgado. "Agora é fácil dizer que o sistema é legal, mas antes ninguém queria investir", disse Leite. Sobre os lucros, a empresa tem retorno do investimento e a prefeitura do Rio fica com 11% do montante do patrocínio.

O aluguel

O passe custa R$ 5 e vale por 24 horas. O passeio, no entanto, não pode extrapolar a duração de uma hora consecutiva, tendo que ter um intervalo de, pelo menos, 15 minutos entre um trajeto e outro. Com esta mesma regra, o ciclista pode também comprar um passe válido pelo mês inteiro, no valor de R$ 10.

A compra pode ser feita por telefone, com um cartão de crédito. Em smartphones, os usuários podem baixar um aplicativo onde se pode conferir a disponibilidade das bicicletas nas diferentes estações. Em breve, o mesmo serviço contará com uma lista dos melhores roteiros para duas rodas na cidade, que pretende ter 300 km de ciclovias até o final do ano.

Para o turista estrangeiro não ficar de fora, deve entrar em uso uma opção inglês, tanto pelo telefone quanto no aplicativo. A segunda língua já é alternativa no site do projeto.

Patrocínio e expansão

Até hoje, as 60 estações e 550 bicicletas ficam distribuídas apenas pelos bairros da zona sul e em pequena parte do centro. Se comparado com Paris, Amsterdam e Copenhague, os exemplos mundiais mais famosos, o sistema é bem reduzido. A capital francesa, por exemplo, dispõe de 21 mil bicicletas distribuídas em 14,5 mil postos. "Temos interesse em expandir o projeto para outras regiões da cidade e o Itaú pretende investir. Mas esbarramos num problema legal. A prefeitura precisa fazer outra licitação e ainda não nos sinalizou quando isso vai acontecer", explica Leite. O Terra contatou a assessoria de imprensa da Secretaria de Conservação, responsável pelo sistema, mas não obteve retorno.

A cantora e designer Mel Ferraz diz que não se sente confortável em andar sob uma bicicleta com o anúncio de um banco. Mas não há muitas alternativas para a questão, afirma o presidente da Serttel. "As duas únicas soluções são o poder público custear todo o sistema ou ele ser pago por um patrocinador. Sem essas opções, o valor do aluguel ficaria inviável e os usuários não teriam como sustentá-lo apenas com o pagamento dos passes", garante ele.

Problemas e ajustes

A manutenção também é uma questão importante. O estudante Bernardo Von Sydou já pegou bicicletas com problemas no banco, nos pneus e até nos pedais. Por isso, ele desenvolveu um método próprio de verificação antes de efetivar o aluguel. "Eu dou uma olhada em tudo antes de pegar a bicicleta. Se tiver algum problema e você só perceber depois, pode estragar o passeio", afirmou.

A empresa diz que ainda está em um momento de entender as necessidades do sistema, que é muito recente. "O período de janeiro e durante o Carnaval foi muito difícil. Houve uma demanda muito grande e ficamos com pouco acesso às estações, que acabaram sofrendo mais com o vandalismo. Operamos com dificuldades e não tivemos tempo de consertar as bicicletas", lembra Angelo Leite. Ele afirma ainda que alguns componentes do equipamento têm uma vida útil menor do que o previsto, já que algumas bikes chegam a ser utilizadas 14 vezes por dia. "Temos só cinco meses de projeto e não tínhamos uma experiência passada. Então estamos corrigindo as falhas aos poucos."

Antes, a sede do projeto ficava no bairro de São Cristóvão, no centro do Rio, e as equipes de manutenção perdiam tempo com o trânsito. Agora haverá grupos de técnicos descentralizados, mais próximos às estações. Também entrará em prática um centro de atendimento ao usuário, que receberá reclamações e terá mais facilidade de identificar os equipamentos que precisam de conserto.

São Paulo será a segunda grande cidade brasileira a contar com o sistema de aluguel de bicicletas - que já existe em alguns municípios menores no Nordeste do País - dentro de dois meses. O acordo prevê o compartilhamento de três mil bicicletas disponibilizadas em 300 estações espalhadas por todas as regiões da capital paulista até 2014. Este ano, serão implantadas 100 estações, permitindo o compartilhamento de mil bikes, informa o Cícero Araújo, diretor de Relações Institucionais e Governos do Itaú.

http://www.jb.com.br/rio/noticias/2012/04/15/aluguel-de-bicicletas-contorna-vandalismo-e-vira-mania-carioca/

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