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terça-feira, 14 de junho de 2011

Apaixonado por bicicletas, ciclista morto fazia trajeto havia décadas / Pontos a discutir sobre o falecimento do ciclista na Av Sumaré


O empresário Antonio Bertolucci, de 68 anos, seguia todo dia a mesma rotina. Ele acordava cedo, por volta das 7h da manhã, pegava a bicicleta e saia para uma pedalada de duas horas. O trajeto era sempre o mesmo: de sua atual residência, nas proximidades do Shopping Iguatemi, no Jardim Paulistano, até sua antiga casa no Sumarézinho. No caminho, passava na padaria para comprar pães novinhos e deixava-os na casa do seu filho Rogério - alguns quarteirões de distância da sua casa. Depois, seguia em direção à Avenida Sumaré, parava na sua bicicletaria preferida, na rua Arruda Alvim, e voltava para tomar café da manhã com sua esposa, por volta das 10h da manhã.
Hoje, porém, Antonio não voltou para casa. Em uma das alças da Avenida Sumaré, o empresário foi atropelado por um ônibus e morreu às 9h36, um minuto depois dar entrada no Hospital das Clínicas. Seu filho, o administrador Rogério Bertolucci, de 42 anos, conta que o pai já havia sofrido alguns pequenos acidentes no trânsito paulistano e que a própria família já o havia desaconselhado a continuar com os passeios diários. Mas sua paixão pelas bicicletas era maior do que isso. "Desde que eu me conheço por gente ele anda de bicicleta. Ele já tinha mais de 15 bicicletas, e todo dia levava uma delas para consertar, dar uma calibrada no seu bicicleteiro. A gente falava com ele parar com esse esporte, mas não adiantava. Ele adorava fazer isso", conta.
Antonio era acionista e presidente do Conselho de Administração do Grupo Lorenzetti, um dos principais fabricantes de duchas e chuveiros do País. A empresa foi fundada por seu avô, Alessandro Lorezentti, em 1923, e até hoje é controlada pela família. Antonio trabalhava lá desde seus 18 anos de idade - neste ano, tinha completado 50 anos de empresa. A sede do grupo funciona na Mooca, na zona leste de São Paulo, para onde o ciclista ia todo dia de carro após passear duas horas de bicicleta.
Seu filho, Rogério, diz que a família está se mobilizando para acionar judicialmente a empresa proprietária do ônibus de turismo que atropelou o pai. Segundo ele, a ideia é conseguir uma indenização para ser revertida para as causas dos ciclistas urbanos. "Queremos fazer alguma coisa em prol do ciclismo. Para você ter uma ideia, não existe nenhuma ciclovia na região da cidade onde moramos", diz. De acordo com Rogério, a família acredita que o ônibus estaria em alta velocidade e não teria respeitado a regra do 1,5 metro - segundo o Código de Trânsito, veículos automotores não podem ultrapassar bicicletas se estiverem a menos de 1,5 m da lateral do ciclista.
Pontos a discutir sobre o falecimento do ciclista na Av Sumaré
-  A prefeitura informa que existe uma ciclovia na Av Sumaré, realmente um dia houve esta tal ciclovia, mas hoje é apenas uma esburacada pista de cooper sem os devidos acessos nem sinalizações,  tanto que cicloativistas consideram a “Ciclovia” do Sumaré como ruim ou inadequada para transporte ou deslocamento urbano.
- Dos 660 milhões previstos pela CET em arrecadação em multas de trânsito para 2011, nada vai para ciclovias ou qualquer planejamento cicloviário.
- A CET não tem uma única emissão de multa sobre as seguintes infração aos artigos do CTB
/201 que estabelece infração media para quem “ Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinquenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta”
/220 que  estabelece infração  gravíssima para quem “Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito” ao ultrapassar  um ciclista na via.
- Segundo o perfil de morte de ciclista em São Paulo, 24 % morrem em acidentes envolvendo ônibus, 51% envolvendo carros,  97% são do sexo masculino, 31% tem entre 50 e 70 anos,.
- A prefeitura calcula a existência de 80 km de infraestrutura viária para bicicleta na cidade, porém, destas, apenas 22 km realmente funcionam para transporte ou deslocamento urbano, e 1,8 foi removido de Parelheiros por um mal entendido entre a Subprefeitura e o Ministério Público.
- Aplicação correta da lei 14.266 que cria a infraestrutura para bicicleta na cidade, com ciclovias, ciclofaixas, faixas compartilhadas, estrutura para bicicleta em pontes, viadutos e novas vias, bicicletários e paraciclos espalhados pela cidade.
- Somando o plano diretor, plano de ciclovias e plano de metas, Pão Paulo tem 522 km de ciclovias para serem inauguradas até 2012, mas até apenas 10 km foram realmente executados.
- Periodicamente a SMT deve realizar reciclagem com motoristas de ônibus coletivos públicos ou particulares e taxistas sobre a convivência harmônica e segura com ciclistas e pedestres.


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